quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fuga da realidade

Por que eu finjo:

que a dor não dói tanto?
que as pessoas não são más?
que eu estou feliz no trabalho?
que posso enfrentar tudo sozinha?
que tenho o controle da situação?
que não tenho medo?
que não temo pelo o que pode vir a acontecer?
que não me preocupo em ficar sozinha?
que sei exatamente o que sinto e o que quero?
que está tudo bem?
que no preciso de ajuda?
ser autossuficiente?
não querer surtar?

Há tempos que finjo... e isso me deixa triste... mas como não fingir?

Autopsicografia - Fernando pessoa
                                   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Quero, pelo menos no mundo que estou a construir, assumir que:

Quero, muitas vezes, surtar no meio do expediente!
Quero ser cuidada, agradada e mimada!
PRECISO de ajuda!!! Help me! Aidez-moi!
Nem tudo está bem! Olha pra mim!
Não sei o que sinto por alguns nem o que quero de outrem!
Não quero e não gosto de ficar sozinha!
Odeio não prever o futuro e ficar nas mãos do Destino!
Não tenho controle da situação e, sim, a situação me controla!
Nada posso sem ajuda daqueles que estão comigo!
Meu trabalho já não mais me faz feliz... (que meus alunos entendam que isso nada tem relação com eles)
Há pessoas más e pessoas muito más!

e...

Dói tanto, mas tanto que perco o ar, a fala e a vontade de seguir em frente...

Nenhum comentário: