Faz 1 ano que escrevi aqui pela última vez. Tanto tempo, tanta coisa aconteceu - e outras tantas permaneceram iguais.
O título dessa postagem será o mesmo da última. Com uma pequena alteração... rs
Quero que Outubro termine, sim! Outubro pra mim é um mês duro. Mas dessa vez, quero que Outubro acabe porque Novembro começará com novidades! Muitas!
Assim, com a expectativa de um mês novo com muitas coisas novas, utubro corre de um jeito mais rápido e menos doloroso!
Vem, Novembro!
O de Alice é o "das Maravilhas", qual será o meu?
Rabiscos de alguém que busca seu próprio mundo, sem abandonar o mundo dos outros...
domingo, 23 de outubro de 2016
domingo, 18 de outubro de 2015
Acaba logo, outubro!
Outubro
é um mês muito phoda pra mim…
Meu
pai morreu num dia 28, porém duas semanas antes eu morria para ele…
Quando
o câncer do meu pai – que começou no pâncreas – atingiu o SNC,
ele meio que 'enlouqueceu'… Ele movimentava as mãos no ar como se
enrolasse fios em motor ou escrevia sobre uma prancheta imaginária
relatórios dos seus alunos do SENAI, mas não se lembrava de mim…
Ele acariciava a cabeça de um cachorro imaginário que ficava
sentado em seu leito no hospital, mas não se lembrava de mim... Ele
dizia que ia embora para Nova Iorque onde teria milhões de dólares
guardado numa conta e que iria aproveitar a vida, mas não se
lembrava de mim… Ele ficou por mais de 48 horas acordado, falando
sem parar e nem os remédios o acalmavam, mas não se lembrava de
mim… E, quando ele dormiu, não acordou mais, sem se lembrar de
mim!
Aquele
foi um período muito, muito difícil para mim. Doía tanto ele não
me reconhecer que parei de ir ao hospital, aonde eu ia todos os dias
desde antes do câncer ser descoberto. Só voltei ao hospital após
uma 'conversa com Deus', quando entendi que o melhor para o meu pai
era partir… Eu pedi a Deus que levasse meu pai, para tirá-lo
daquele sofrimento do hospital (porque nessa altura, ele, além de
estar ligado a uma máquina de morfina, tinha os rins parados e
respirava com auxílio mecânico).
Saber
que o melhor para meu pai era partir não facilitou muito as coisas
para mim. Cada dia que eu saía do hospital era uma 'briga com Deus'
por não ter sido atendida. Nem na cura, nem no descanso do meu pai…
Foi aí que eu desabei. Passei mal e fui parar no hospital. Achei que
iria morrer. Naquele dia, espiritualmente, rolou uma despedida...
Até
outubro de 2013 acabar muita coisa estranha aconteceu. Até hoje tem
muita mágoa daquele período, das quais ainda não consegui me
desfazer e que não tenho intenção de expor aqui…
Esse
ano está sendo muito mais difícil atravessar outubro do que foi ano
passado. Tenho pensado muito mais no meu pai. Tenho sentido uma
saudade tão intensa dele que não sei como lidar. Nem com ela, nem
com quem me pergunta o que eu tenho…
Nos
últimos dias eu tentei falar sobre isso com alguém, mas ouvi que
'era besteira e que passaria'… Guardei pra mim e, hoje, consegui
escrever…
Escrever me faz bem. Muito bem. Mas, ser abraçada faz com que eu me sinta ainda melhor... tá?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Análise de 2014
Começou ruim
Piorou
Ficou um pouco melhor
Melhorou
Melhorou mais um pouquinho
Voltou a ficar ruim
Melhorou
E...
A partir de agora,
o sobe e desce,
só interessa,
se for o do dólar!
sábado, 13 de dezembro de 2014
O que mudou em 2014... Um trem
Com a morte do meu pai em outubro do ano passado, eu me coloquei no automático e me arrastei até o fim do ano. Depois, me arrastei pelas férias. Só em fevereiro, com o retorno ao trabalho (e com a volta das crises de TGA), eu me dei conta de que precisava fazer algo por mim. Mas, estar no automático era tão cômodo que continuei relutando para não fazer nada... A zona de conforto estava tão acolhedora que parecia ainda ter meu pai comigo. O TGA piorou, as relações familiares se desgastaram ainda mais, o trabalho deixou de ser o lado saudável da minha vida e... eu continuava no automático!
Como escrevi numa outra postagem algo aconteceu e voltei a escrever. E a fazer planos. E um desses planos era de uma viagem.
Enquanto planejava a viagem, fui atrás de diversos guias. Lia-os. Devorava-os. Até que uma atração me chamou a atenção... E, mudou meu ano e, definitivamente, minha vida.
"Tren a las nubes" - Salta, Argentina. Viagem de, aproximadamente, 15 horas, percorrendo 434 km, atingindo uma altitude de 4.200 m. O trem passeia entre as montanhas da Cordilheira dos Andes, atravessando a Quebrada Del Toro, até o Viaducto La Polvorilla. Fica por lá cerca de 40 min e retorna. Além da paisagem, o que mais oferece? Nada! É só isso. São 15 horas (ida e volta) dentro de um trem, vendo a paisagem passar, enquanto o trem sobe, sobe, sobe... até atingir o seu destino.
E como um negócio desse mudou minha vida? Explico:
Em um dos guias que li, infelizmente não me recordo mais em qual, a descrição do trem, da linha férrea e do passeio em si é tão perfeita - e bucólica - que me encantou. Foi isso que me aconteceu? Não! Há, na descrição do passeio, um trecho que diz algo mais ou menos assim:
"Atingindo certa altura, a locomotiva não tem mais força para puxar os vagões. O trem para. A locomotiva manobra, dirigindo-se para o fim da fila dos vagões e, a partir daí, ao invés de puxar, a locomotiva empurra os vagões, obrigando-os a subir até o ponto final do passeio."
Pronto! Aquilo revirou-me por dentro. Eu me vi naquela locomotiva. Eu era aquela locomotiva. Quando não estava puxando algo/alguém 'pra cima' estava empurrando-os para o alto. Não importava o sacrifício. Fazia isso com meus alunos, com meus amigos, com meus parentes e com meu namorado.
Aquela história mexeu tanto comigo que na aula seguinte já deixei claro aos meus alunos que minha postura com eles iria mudar. A partir dali não levaria ninguém para o alto comigo. Só quem quisesse. E quem não fosse 'peso em excesso'. Pedi o desligamento de um deles. Fiz relatório desfavorável (porém realista) e impedi a efetivação de outros.
E, assim, como uma locomotiva, fui 'dando cabo' a todo peso extra que eu vinha puxando/empurrando.
Coloquei fim num relacionamento que já deveria ter acabado a muito tempo. Fiz por ele muito mais que deveria. E passei a avaliar o porquê de não ter dado certo. Aceitei que o que era, até então, preconceito dos outros, na verdade, era diferença demais a ser sustentada. Eu, na segunda faculdade, com duas pós concluídas; ele, ensino médio. Eu, carreira profissional estruturada; ele, dono de boteco, lavando copo e aguentando bêbado para pagar as contas no fim do mês. Eu, querendo conversar sobre filosofia, tecnologia ou qualquer assunto que fosse; ele, sobre futebol e bunda. Eu, mundo; ele, Suarão... Não dava mais pra empurrá-lo para o alto, nem puxá-lo para perto de mim. Havia uma distância grande demais. Deixei-o no meio do caminho.
Ao deixá-lo, fui 'obrigada' a deixar alguns amigos também, que junto ao namorado, faziam peso extra.
Isso abriu espaço aos amigos que são leves e me fazem bem! Aqueles que, quando eu preciso, podem dar aquele empurrãozinho para eu continuar em direção ao topo (hahaha).
E, o melhor! Livrar-me de excesso de peso, do esforço desnecessário, tanto na vida profissional quanto pessoal, deixou-me muito mais leve e trouxe-me novas parcerias. Cinco meses após esse trem passar por mim, estou "bem, obrigada".
Obs: Estou indo para a Argentina, mas não vou a Salta. O trem não funciona de dezembro a março. Uma pena, pois eu queria presenciar isso aqui, oh: o trem que mudou minha vida
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Será que dessa vez - voltar a escrever - vai?
Os meus trabalhos (remunerados) estão, todos, ligados à produção textual. Num deles faço produção de material didático e elaboro relatórios (e mais relatórios); num outro, escrevo contos e crônicas sobre temas pré-determinados. Ainda escrevo roteiro/pauta para o site que uns amigos possuem sobre tecnologia. Enfim, escrever faz parte da minha vida profissional.
Da vida pessoal, sempre fez. Mentira! Em alguns momentos fez. Para escrever, tenho dois estímulos: a felicidade e a incerteza. Como essas duas, em minha vida, sempre andaram juntas (irmãs siamesas, talvez), alterno períodos de grande produção "literária" com excesso de papel em branco...
Hoje, após uma noite estranha, com sonhos estranhos, acordei com a sensação de que tinha a 'obrigação' de colocar algo pra fora. Às sextas-feiras, trabalho somente de manhã. E hoje, especificamente, não tinha absolutamente nada, NA-DA, do trabalho, para fazer... Aproveitei esse momento de ócio 'remunerado' e o usei a meu favor: meia hora depois, tinha em minha frente, rabiscado numa folha oficial de prova do colégio um poema.
Há anos não escrevia poemas! E esse tem um "quê" especial. É, pra mim, a resposta às incertezas de alguém sobre a felicidade que, talvez, eu não consiga expressar. Complexo? Talvez...
A/C D/C
PARTE I - ANTES DE VOCÊ
A forma como vejo o mundo
É a mesma como o mundo me vê
Um reflexo imediato
Caótico, obscuro, injusto
Frio, sujo, envenenado
Sem futuro ...tão pouco rumo
Infeliz, cinza
Feio e soturno
E se há realmente um Deus
Único, verdadeiro e absoluto
É através da Natureza
De Sua beleza e pureza
Que Ele existe e se expressa
Com a precisão positiva da energia vital
Que cria, transforma
Nasce, morre, renasce, reage ...se move
Creio em nada
Acredito em ninguém
Felicidade inexiste
Sob esse ponto de vista
PARTE II - DEPOIS DE VOCÊ
Mas quando penso em você
Quando te vejo
Quando me lembro do teu sorriso
Quando estou na sua presença
E ouço tua voz
E com tua beleza me contemplas
O brilho resultante da fórmula da tua existência
Tua forma + (mais) teu conteúdo (= TEU BRILHO)
Me enche de vida
Me enche de alegria
Me transforma
Me transporta
E é para onde a tua luz habita
Cheio de amor, cheio de graça, cheio de saúde e de vida
Cheio da mais bela cor
Que salta do olhos
É que me levas
Você me faz querer
Você me faz viver
Me faz chorar
Me faz sofrer
Me faz te amar, te sentir
Me faz acordar por você
E a cada dia para você
Eu existir e ser
E cada vez mais e mais
Precisar e querer
Estar com você
Viver com você
Criar, construir, conquistar
E definitivamente
Para todo o sempre
No teu caminho e a teu lado seguir
Tudo o que tenho
De mais importante e valioso
Tudo o que desejo
De mais sincero e verdadeiro
É VOCÊ!
E todo meu amor
E tudo de melhor e mais especial que tenho
Que posso ser e oferecer
Ofereço a VOCÊ!
Que de hoje em diante, não haja dúvidas, e, se houver, que eu possa esclarecê-las... Escrevendo... ;)
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Destino da viagem, enfim, escolhido!
Numa outra postagem, escrevi que
buscava um lugar para passar as férias. Minha principal fonte
de pesquisa foi o guia Viajante pela América Latina. Eu o li
praticamente de início ao fim, pois queria que minha viagem fosse
muito bem planejada.
Num primeiro momento, encantei-me por
três países, aqui listados em ordem alfabética e não por
preferência: Argentina, Chile e Uruguai. E os motivos eram simples:
Argentina pela proximidade e facilidade, Chile pelos vinhos (hihihi)
e Uruguai por compromissos profissionais futuros.
Foquei minhas pesquisas nesses três
países. Peguei com amigos guias de viagem emprestados, mergulhei no
mundo virtual atrás de informações turísticas, gastronômicas e
econômicas dos meus escolhidos.
Após duas semanas, Chile havia sido
eliminado. E sua eliminação ocorreu única e exclusivamente pelo
tempo de voo partindo de São Paulo. Como disse em postagem anterior,
ainda não consigo ficar mais que cinco horas (infelizmente) dentro
de um avião. Porém, comprometo-me a, assim que conseguir permanecer
dentro de um avião um pouco mais de tempo, conhecer o norte do
Chile, nem que seja num feriado prologado (Carnaval, quem sabe...)
Meu destino estava se desenhando de um
jeito bastante agradável. Havia a real possibilidade de visitar os
dois países numa viagem só. Pensei em ir pela Argentina e voltar
pelo Uruguai, fazendo a conexão entre os dois atravessando o Rio da
Prata, desembarcando em Colônia Del Sacramento (local do compromisso
profissional futuro) e seguindo viagem de ônibus até Montevidéu. O
problema aqui era o preço das passagens. Ir por um e voltar por
outro encarecia consideravelmente a viagem. Teria que redesenhar meu
trajeto.
Mais pesquisa, mais mergulhos na
internet, comprei alguns guias e resolvi fazer uma viagem sanduíche:
Argentina-Uruguai-Argentina, usando o Buquebus como conexão entre
eles. Além de mais barato, evito o 'transtorno' de ter que encarar
avião.
Por um período, eu, que gosto muito de
ler, abandonei a literatura e me entreguei aos guias de viagem. Aonde
ia, carregava-os comigo. Confesso que fiquei um pouco monotemática,
mas me envolvi, empolguei-me. Vi-me motivada, pela primeira vez após
a morte do meu pai, a realizar algo. E as pessoas ao meu redor viram
isso. Tanto que uma amiga minha se interessou e se "ofereceu"
para ser minha companheira de viagem. O mesmo ocorreu com uma prima.
Por sorte, conseguimos passagens nos mesmos voos (ida e volta) apesar
dos assentos bem distantes no avião e consegui trocar os hotéis que
antes eram single para
triplo, sem para multa.
O que falta agora é adaptar o roteiro
ao gosto da três para que não fique ninguém de bico durante a
viagem. Serão 12 dias. 3 destinados a Buenos Aires, 3 a Colônia e o
restante gastos nos arredores da capital portenha e em deslocamento.
Ficaremos em hostel, procuraremos os lugares mais baratos para comer
e para nos divertir. Estamos preparadas para caminhar muito, pedalar
se for preciso e, principalmente, experimentar novas possibilidades.
Eu, particularmente, viajando sozinha ou acompanhada, permaneço com
o mesmo foco: (re)construir – e ampliar – o meu mundo.
Embarcaremos em 52 dias!
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Quando o "nosso" vira o "meu + seu"...
3 anos, 3 meses e 13 dias depois, resolvi que já era hora de 'resgatar' minhas coisas. Liguei para saber se poderia aparecer naquela que, um dia, já foi a 'minha casa'.
- Aconteceu algo? Tá tudo bem? (voz assustada)
- Oi. Sou eu. (silêncio) Eu esperava um alô. Mas, sim, tá tudo bem.
- Vi seu nome no visor, fiquei preocupado. Caramba! Imaginei coisas ruins.
- Foi mal. Tá tudo bem, sim. (silêncio) Queria minhas coisas de volta. Posso ir pegá-las?
- Suas coisas? De que coisas você está falando? Do apartamento?
- Não. Dos livros, dos CDs, das roupas e do tablet... Acho que foi só o que ficou, né?
Pronto! Fiz a pergunta errada. A respiração do outro lado da linha se alterou. Pude imaginar a fúria naquele par de olhos azuis. Não! Não foi só o que ficou. Não para ele. Em cada objeto deixado para trás ficou uma história. (A penúltima gaveta da cômoda deve guardar um monte delas... Será?)
Toquei o interfone. Prédio antigo e sem porteiro. Portão manual. Ele é obrigado a descer. Não há fúria nos olhos azuis. Há desconfiança. Ele me estende a mão.
- Oi. Tudo bem com você?
- Tá. Sobe.
Um lance de escadas. Porta do apartamento aberta. Por alguns segundos contemplo a sala. Está tudo exatamente igual. Não há saudades. Não há boas lembranças. Há, apenas, um ar fúnebre, apesar do colorido do ambiente (laranja da parede, verde do sofá, roxo e cinza da cortina - casa de daltônico). Aqui jaz algo... Ou alguém... Sinto-me estranha. Uma estranha num ninho que já foi meu. Isso me causa um arrepio. Entro. Atravesso a sala. Estou seguindo-o. Passo pelo corretor. À esquerda, a cozinha. Tudo igual. À direita, o quarto menor. Tudo igual. As mesmas caixas ainda da primeira mudança. Ele entra no quarto principal. Vou atrás.
- Meus livros! (Havia uma felicidade em minha voz. Felicidade de reencontro). Posso pegá-los?
-Hum... quais você vai querer?
- Os meus, uê! Por quê?
- Sabe... (sentou na poltrona que já foi minha) Tens uns aí que gosto... Queria ficar com eles. Quer me vender?
- Aff... Não vou vender nada pra você, né? Te deixei um apartamento, vou te vender um livro? Me diz qual? Fica pra você...
- Gosto da estante cheia...
- Você os lê? Usa para algo?
- Li todos. Alguns, mais de uma vez. Levo-os comigo quando vou tocar. Ah! Na penúltima gaveta tem umas coisas suas. Enfiei o que ficou espalhado lá.
- Mé dá uma caixa, por favor. Vou colocar as minhas coisas dentro pra levar embora...
Abri a gaveta. E tive dúvidas se tudo aquilo era meu. Um dia foram, mas, não são mais... Roupas que não me servem (porque meu corpo mudou, porque meu gosto mudou (Haleluiah), porque, principalmente, como já disse, cada objeto carrega uma história).
- Me dá uma sacola? Tem umas coisas que não quero levar. Vou jogar fora. Tudo bem?
- Eu guardei porque achei que eram importante para você. Mas não é, né? Tanto que você demorou mais de 3 anos para vir buscar!
- Não faz assim! Você tá misturando tudo. Eu vim buscar meus livros. Meu tablet. Cadê meu tablet?
- Vendi!
- Como assim?
- Vendi, uê! Achei que você não voltaria! 3 anos, Ludmila! Vendi o tablet, os brincos, os anéis e tudo que tinha valor comercial!
- Era tudo meu! Aff... Por que você não se desfez de tudo, então? Me poupava o trabalho de vir aqui e jogar essas porcarias fora!
- Não são porcarias! São suas coisas! Suas! E eu as guardei.
- Eu vou levar meus livros, ok?
- Não. Os livros, não. Eles fazem parte da minha biblioteca agora.
(silêncio)
- Eu quero a biografia do Ozzy. Tudo bem?
- Poxa... Esse livro a gente leu nas férias, depois da morte da minha mãe. A gente lia ao mesmo tempo...
- Chega! Fica com tudo. Com todos os livros. Essas coisas aqui (pus tudo o que estava na gaveta num saco plástico) eu vou por na lixeira do prédio. OK?
- Desculpa. De novo.
- Eu não guardo nada. Nem objetos, nem lembranças, nem sentimentos. Ficou tudo lá trás. Eu queria meus livros, sinto falta deles, mas acho que eles serão mais úteis para você! não tem problema. Eu monto uma biblioteca nova. Você pode abrir a porta pra mim?
- Ficou aberta, Ludmila.
- Então, tchau, cuide-se e até... (nunca mais (em pensamento))
Atravessei o corredor, a sala e desci a escada com o saco plástico na mão. Deixei-o na lixeira do prédio. Ouvi passos atrás de mim. Ele desceu para abrir o portão manual. Atravessei o portão.
- Tchau. De novo. Cuide-se.
- Agora é um adeus, certo?
- Certo. Adeus!
- Fica com Deus. (foram as últimas palavras dele, antes de trancar o portão)
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Carta a meu pai
Pai,
Hoje faz 01 ano que, fisicamente, você não está comigo. Há pouco te tenho de volta em meus sonhos, pouco mesmo, nem sei precisar há quanto tempo você "voltou"...
Sinto muito a sua falta. Principalmente de seus conselhos. Tenho quebrado muito a cara. Metido os pés pelas mãos, por agir sem pensar... Você era, sem dúvida alguma, a minha razão. Todos os dias, às vezes mais de uma vez, eu me pergunto o que você diria para eu fazer. Às vezes eu acerto, outras, não... E, assim, vou seguindo sem você.
Os primeiros meses sem você foram muito difíceis. A sua ausência ocupava um espaço muito grande em minha vida. Tudo era referência sua em mim. A casa, o trabalho, o estudo... E as pessoas ao redor não aceitam isso. Lidar com elas era o pior para mim. Minha dor as incomodava. Era como se eu não pudesse sofrer. Meu choro as machucava. E a cada lágrima minha eu era agredida por elas. Passei a não chorar (ou a chorar escondida), mas isso me fez mal. Caí. Não suportei. E, como foi em todas as outras vezes, quem me estendeu a mão não foi quem 'deveria'. Foi, mais uma vez, quem eu não imaginava. Eu não tinha você, mas tinha uma amiga, dois anjos de jaleco e um cachorro.
Hoje, 01 ano depois, muita coisa mudou. Eu mudei. E eu queria te contar... Se você não tivesse partido desse mundo, se fosse possível um re-encontro nesse plano, eu nos imagino sentados na praça de alimentação do shopping, onde comeríamos no Giraffas. Você pediria o prato om purê e linguiça. Eu, frango. E, enquanto comeríamos, eu falaria. Você me ouviria. Como fazíamos sempre, quando nos encontrávamos...
* Trabalho
Por incrível que pareça, o trabalho está exatamente na mesma situação que há um ano atrás. Aquela indefinição se o projeto continua ou é encerrado. Apesar disso, conquistei meu espaço. Fui reconhecida profissionalmente. E, apesar da sua resistência em me ver trabalhando aqui, estou feliz. Tenho planos (A, B e C). Vou dançar de acordo com a música. B e C são a longo prazo (2015 e 2016), mas eles estão ligados à vida pessoal.
* Estudo
Voltei a estudar. Ainda não é Pedagogia como você gostaria. Biologia, como eu queria, desde os 20 anos. Estava na hora de retomar sonhos antigos. Tem a ver com um sonho que tive com Deus enquanto você estava hospitalizado. Eu o contei a você, mas não sei se você o ouviu. "Meu lugar pelos motivos certos". Estou investindo nisso. Sem pressa. Ano que vem, retomo o espanhol. Necessito. Urgente.
* Família
Meu relacionamento com a mãe e com a Tiane está melhor. E isso se deve única e simplesmente pelo fato de que eu não me importo mais. Como você sabe, sempre relevei muitas coisas, mas, de um tempo pra cá, cansei de relevar. Relevar me diminuía. Agora, não me importo. Não me importar não me atinge. Assim, eu sigo. Nos relacionamentos, convivemos melhor. Acredito que um dia possamos ter um relacionamento próximo ao que vejo meus amigos terem com seus irmãos e pais. Não desejo isso para não me frustar. Mas, se um dia tivermos, agradecerei por isso.
* Relacionamentos
Com a sua morte, eu percebi quem eram meus verdadeiros amigos. Começou no seu velório. Teve gente que deixou de ir ao aniversário da avó da namorada pra ir me dar um abraço. Teve gente que acordou horas antes para passar lá antes de trabalhar. Teve gente que apareceu no meio da madrugada fria. Teve gente que foi e que eu não via há anos, me surpreendendo. Teve gente que pegou um avião, alugou um carro, me fez comer um sonho e foi embora porque tinha que voltar pra SC no primeiro voo do dia seguinte. Teve gente que conteve meu choro, me deixou chorar, me fez dormir, me fez comer, me fez rir, e chorou sozinho. A essas pessoas, eu acho que não disse obrigada. Mas, elas são responsáveis por hoje eu estar bem. Porque sei que posso contar com elas. Elas apareceram quando eu precisei sem eu pedir. E, essas mesmas pessoas continuaram em minha vida. Eu sou grata a elas.
Há também aquelas que saíram da minha vida (de espontânea vontade e as que eu 'expulsei'). Percebi que havia próximo de mim muita gente desnecessária, 'peso morto'. Aposto que você não está surpreso. Sempre me disse que eu fazia mais do que 'era minha obrigação' por aqueles que me cercavam.Vou te dizer, pai... Romper com alguns amigos doeu, mas, depois de um tempo eu me senti muito bem, obrigada! rs
Fiz novos amigos. Você ia gostar deles. E eles, quando eu falo de você ou quando escrevo sobre você, sempre me dizem que gostariam de ter te conhecido. São gente boa que me fazem bem!
* Amores
Por conta de uma história de um trem do norte da Argentina, coloquei um ponto final no meu namoro de 3 anos. Na verdade, ele acabou no dia do seu velório. Na verdade, começou a acabar enquanto você estava no hospital. Toda vez que você me perguntava como a gente estava eu respondia "bem", mas na verdade, estávamos uma bosta! Mas éramos amigos (não somos mais, por enquanto). Não, eu não menti pra você. Só me dei conta disso fazendo terapia. Sim! Eu faço terapia. rs
E, naquele momento em que eu pensei vou ficar 100%, me mudar, novos ares, novo tudo, surgiu alguém (que, às vezes, eu acho que foi você quem me mandou).
Eu me apaixonei. Há alguém novo em minha vida. Alguém que me faz querer planejar um futuro e ter alguém pra dividir esse futuro. Com tudo o que tenho direito (e vontade). Ele me faz bem. Mas brigamos pra caramba. Sempre por besteira (ou na minha visão ou na dele). Tá difícil a gente se entender... Eu estou tão disposta a voltar a ser o que eu era antes... (sei que você sorriu de felicidade) mas eu preciso de tempo. E meu pensamento rápido e minha "diarreia verbal" não tem colaborado muito comigo... Talvez falte um pouco de boa vontade da parte dele também. Talvez eu esteja insistindo no cara errado. Eu não sei... E se você estivesse aqui, sei que daria bons conselhos. Sinto sua falta.
* Viagem
Sim! Tô indo viajar, de novo. Dessa vez, tem um gostinho especial. É a primeira que você não participou do planejamento. Tem tudo pra dar erado, mas tem tudo pra dar certo. Pode ser a última que faça no estilo "eu sozinha", então, eu queria que fosse bacana. Vou aqui pertinho, porque ainda não dá para encarar muitas horas de voo. Pra me dar segurança, estou levando a Vithória, mas vou dar minha escapada e cumprir meus "rituais' de viajante solitária. Pena não ter você no aeroporto quando eu voltar. Eu ainda não sei que vou ter no aeroporto quando voltar. Acho que ninguém... Acho que o taxista... hihihi
* Tatuagem
Fiz uma tatuagem para você. Significa, entre outras coisas, "passado, presente, futuro". Porque é isso que você representa para mim. Não há distância. Não há afastamento. Não há tempo. Você esteve, está e estará sempre aqui comigo. Não, eu não precisava de uma tatuagem para entender/demonstrar isso, mas precisava eternizar em mim esse momento em que me encontro. Pensei em fazer a moto, ainda bem que desisti... hihihi
Pai, espero que nesse um ano você tenha se fortalecido e se alimentado de luz. Que daí você possa ter observado que eu me fortaleci. Eu vou ser sempre a sua menina, mas hoje, sou mulher também. Minha vida segue. Com você sempre comigo.
Eu te amo.
Com você, por você e pra você! SEMPRE!
Mila
domingo, 17 de agosto de 2014
América do Sul, lá vamos nós!
Quando pensei em me jogar pelo mundo, numa viagem ao desconhecido, sabia que iria demorar para escolher o destino, afinal, o mundo é GRANDE pra ca-ra-ca!
Listei lugares que gostaria de conhecer o os motivos pelos quais iria até tais países. Mas a lista ficou fora de controle, afinal, o mundo é GRANDE pra ca-ra-ca e não caberia numa lista só (publicarei parte dela em postagem futura).
Inverti o processo. Criei uma lista, por que elimino os países através dos motivos pelos quais não gostaria de visitá-los. E não é que funcionou? hihihi
Cheguei a um único destino? Claro que não! Mas, dos 193 países existentes - reconhecidos pela ONU em 2013, ok? - sobraram "apenas" 11! hahaha.
Vamos aos critérios, por ordem de eliminação:
- Idioma principal - Inglês: Apesar de ser formada em Letras - Português/Inglês, odeio ter que falar, pensar ou ouvir em inglês, logo, TODOS os países cujo idioma principal seja inglês foram eliminados. Não conhecerei Tio Sam, nem darei um Salve à Rainha, mas... 'E dai?'... rs
- Países em guerra: Poxa vida, né? Será que é preciso explicar? obs: o inglês é tão indigesto para mim que veio antes da guerra.
- Tenho TGA (Transtorno Generalizado de Ansiedade). Quando comecei a pensar na viagem, não era possível trabalhar com a ideia de voos com duração superior a 5 horas, hoje, já é possível pensar em 9 horas de voo. Sendo a viagem apenas em Janeiro, acreditamos (meus médicos e eu), que atingiremos a meta de 12 horas de voo, mas optei por não arriscar.
- Gastronomia do lugar: sou chata pra caramba para comer. Não gosto de verduras, frutas e sou intolerante a glúten e à lactose. Logo, pesquisei bastante a alimentação dos países e fui eliminando aqueles cuja alimentação era baseada no que não como.
- Economia do lugar: Depois de muitos países eliminados, fui verificar preço de passagem, hotel, alimentação, e, como viajarei com duas amigas, como anda a economia dos lugares. Já viu mulher que viaja que não queira gastar? rs
Com isso, sobraram-me os países da América do Sul: Falam espanhol, não estão em guerra (não declaradamente), voos curtos, gastronomia semelhante a nossa e, o nosso Real leva ligeira vantagem perante o dinheiro dos outros 11 países.
Há quem acredite que fiquei com as sobras dos países, mas NÃO! Fiquei exatamente com aqueles que realmente me trarão momentos bons.
Peguei emprestado o guia da minha irmã para conhecer um pouco de cada um dos países para decidir para qual/quais dele/deles eu vou!
Aconselho a leitura de guia de viagem, pois motivam a planejar a viagem, indicam o que fazer e o que evitar e dão uma 'vaga' ideia de quanto você gastará na sua empreitada. Esse, por exemplo, tem indicações baratas a luxuosas.
domingo, 13 de julho de 2014
Uma historinha para recomeçar...
E lá vamos nós... (quase um 'era uma vez')
Há um ano comecei a viver o pior período da minha vida: meu pai foi internado devido uma dor nas costas. Fez tomografia e descobriu que tinha um tumor. Três meses depois, após três sessões de quimioterapia, ele partiu.
Sim! Resumi aqueles três meses em três linhas, pois - ainda - não estou preparada para escrever sobre aquele período.
Com a morte do meu pai, meu mundo desabou. Passei a me sentir completamente sozinha. Explico: apesar de ter mãe, irmã, amigos, namorado, parentes, colegas de trabalho e alunos, eu perdi aquele:
(E aqui faço uma pausa para representar os oito meses que passaram desde aquela segunda-feira. Ainda não estou pronta para escrever sobre eles também)
Hoje, acordei com vontade de escrever. Mais do que isso. Acordei me sentindo renovada. Como se na noite passada eu tivesse encontrado com meu pai e matado a saudade que me corrói um pouco mais a cada dia. Não sei se sonhei com ele ou se ele esteve aqui comigo ou se imaginei tudo isso, só sei que hoje acordei com uma vontade enorme de seguir em frente!
Mas como seguir em frente sem ele? Como agir sem seus conselhos? Como planejar sem sua orientação? Essas e tantas outras perguntas foram surgindo e as respostas, para elas, também! ;-)
Pode parecer contraditório, mas para seguir em frente, refazer meu mundo, cheguei a conclusão que não posso deixar de fazer o que fazia com/para ele (1). E, para dar o pontapé inicial de uma vida só (leia: sem meu pai), resolvi fazer algo que jamais imaginei com ele (2).
(1) Meu pai sempre foi meu leitor mais fiel. Sempre acompanhou o blog, compartilhava meus textos. E eu amava aquela 'tietagem'. Tanto que escrevi e compartilhei textos (vários) só para ele... Por isso - e em homenagem a ele - volto a escrever com regularidade.
Obs: Sempre disse que as minhas incertezas e minhas felicidades eram o que me faziam escrever. Hoje tenho muito mais incertezas que felicidades. Espero - em breve - inverter essa conta.
(2) Vou me jogar no mundo! Sim!
Como assim? Vou viajar! E sozinha! Para lugares onde nunca estive. Vou conhecer novos lugares, novas pessoas e novas culturas.
Estar sozinha, a partir de hoje, não será mais sinônimo de 'estar abandonada'. significará - para mim - 'estar solta'.
Assim, mantenho minha essência e posso construir um mundo maior e melhor para mim!
Ah! Falei tanto do meu pai. E falarei muito mais. Quer conhecê-lo um pouquinho? Clica aqui!
Há um ano comecei a viver o pior período da minha vida: meu pai foi internado devido uma dor nas costas. Fez tomografia e descobriu que tinha um tumor. Três meses depois, após três sessões de quimioterapia, ele partiu.
Sim! Resumi aqueles três meses em três linhas, pois - ainda - não estou preparada para escrever sobre aquele período.
Com a morte do meu pai, meu mundo desabou. Passei a me sentir completamente sozinha. Explico: apesar de ter mãe, irmã, amigos, namorado, parentes, colegas de trabalho e alunos, eu perdi aquele:
- com quem falava todos os dias por volta das 11 horas (intervalo dele no trabalho);
- que me incentiva a fazer sempre o melhor;
- que me ouvia sempre que eu precisava falar;
- com quem fazia planos a curto, médio e longo prazo;
- que entendia os meus pensamentos confusos e achava tudo normal;
- que era meu ídolo e minha referência. Aquele que era mais próximo do que sou;
- com quem eu me sentia sempre bem. SEMPRE!
(E aqui faço uma pausa para representar os oito meses que passaram desde aquela segunda-feira. Ainda não estou pronta para escrever sobre eles também)
Hoje, acordei com vontade de escrever. Mais do que isso. Acordei me sentindo renovada. Como se na noite passada eu tivesse encontrado com meu pai e matado a saudade que me corrói um pouco mais a cada dia. Não sei se sonhei com ele ou se ele esteve aqui comigo ou se imaginei tudo isso, só sei que hoje acordei com uma vontade enorme de seguir em frente!
Mas como seguir em frente sem ele? Como agir sem seus conselhos? Como planejar sem sua orientação? Essas e tantas outras perguntas foram surgindo e as respostas, para elas, também! ;-)
Pode parecer contraditório, mas para seguir em frente, refazer meu mundo, cheguei a conclusão que não posso deixar de fazer o que fazia com/para ele (1). E, para dar o pontapé inicial de uma vida só (leia: sem meu pai), resolvi fazer algo que jamais imaginei com ele (2).
(1) Meu pai sempre foi meu leitor mais fiel. Sempre acompanhou o blog, compartilhava meus textos. E eu amava aquela 'tietagem'. Tanto que escrevi e compartilhei textos (vários) só para ele... Por isso - e em homenagem a ele - volto a escrever com regularidade.
Obs: Sempre disse que as minhas incertezas e minhas felicidades eram o que me faziam escrever. Hoje tenho muito mais incertezas que felicidades. Espero - em breve - inverter essa conta.
(2) Vou me jogar no mundo! Sim!
Como assim? Vou viajar! E sozinha! Para lugares onde nunca estive. Vou conhecer novos lugares, novas pessoas e novas culturas.
Estar sozinha, a partir de hoje, não será mais sinônimo de 'estar abandonada'. significará - para mim - 'estar solta'.
Assim, mantenho minha essência e posso construir um mundo maior e melhor para mim!
Ah! Falei tanto do meu pai. E falarei muito mais. Quer conhecê-lo um pouquinho? Clica aqui!
Assinar:
Postagens (Atom)


