domingo, 18 de outubro de 2015

Acaba logo, outubro!

Outubro é um mês muito phoda pra mim…

Meu pai morreu num dia 28, porém duas semanas antes eu morria para ele…
Quando o câncer do meu pai – que começou no pâncreas – atingiu o SNC, ele meio que 'enlouqueceu'… Ele movimentava as mãos no ar como se enrolasse fios em motor ou escrevia sobre uma prancheta imaginária relatórios dos seus alunos do SENAI, mas não se lembrava de mim… Ele acariciava a cabeça de um cachorro imaginário que ficava sentado em seu leito no hospital, mas não se lembrava de mim... Ele dizia que ia embora para Nova Iorque onde teria milhões de dólares guardado numa conta e que iria aproveitar a vida, mas não se lembrava de mim… Ele ficou por mais de 48 horas acordado, falando sem parar e nem os remédios o acalmavam, mas não se lembrava de mim… E, quando ele dormiu, não acordou mais, sem se lembrar de mim!
Aquele foi um período muito, muito difícil para mim. Doía tanto ele não me reconhecer que parei de ir ao hospital, aonde eu ia todos os dias desde antes do câncer ser descoberto. Só voltei ao hospital após uma 'conversa com Deus', quando entendi que o melhor para o meu pai era partir… Eu pedi a Deus que levasse meu pai, para tirá-lo daquele sofrimento do hospital (porque nessa altura, ele, além de estar ligado a uma máquina de morfina, tinha os rins parados e respirava com auxílio mecânico).
Saber que o melhor para meu pai era partir não facilitou muito as coisas para mim. Cada dia que eu saía do hospital era uma 'briga com Deus' por não ter sido atendida. Nem na cura, nem no descanso do meu pai… Foi aí que eu desabei. Passei mal e fui parar no hospital. Achei que iria morrer. Naquele dia, espiritualmente, rolou uma despedida...
Até outubro de 2013 acabar muita coisa estranha aconteceu. Até hoje tem muita mágoa daquele período, das quais ainda não consegui me desfazer e que não tenho intenção de expor aqui…
Esse ano está sendo muito mais difícil atravessar outubro do que foi ano passado. Tenho pensado muito mais no meu pai. Tenho sentido uma saudade tão intensa dele que não sei como lidar. Nem com ela, nem com quem me pergunta o que eu tenho…

Nos últimos dias eu tentei falar sobre isso com alguém, mas ouvi que 'era besteira e que passaria'… Guardei pra mim e, hoje, consegui escrever…

Escrever me faz bem. Muito bem. Mas, ser abraçada faz com que eu me sinta ainda melhor... tá?